Arcano Lúcido

Arcano Menor · nº 7

Sete de Espadas

Em estudo
Carta Sete de Espadas, ilustração de Pamela Colman Smith, 1909
Pamela Colman Smith, 1909 · domínio público

furtividade · estratégia solitária · evasão · autoengano

elemento:
ar
atribuído retroativamente
astrologia:
Lua em Aquário
atribuído retroativamente

Leitura tradicional

Waite descreve um homem “carregando cinco espadas apressadamente; as outras duas da carta permanecem fincadas no chão. Um acampamento está próximo.”[fonte] Na ilustração de Pamela Colman Smith, ele se afasta sem confronto, olhando por sobre o ombro com um ar dissimulado — de quem se acha mais ágil do que vai ser percebido.

Como significado adivinhatório, Waite reúne sentidos que ele mesmo chama de discordantes entre si: “intenção, tentativa, desejo, esperança, confiança”; e também “disputa, um plano que pode falhar, contrariedade.”[fonte]

Como usar

“O homem se afasta sem confronto, olhando por sobre o ombro com um ar dissimulado — já decidido sobre a própria versão da fuga antes de alguém perguntar.”

Convencer-se primeiro da própria justificativa facilita convencer os outros depois: quem acredita na própria versão evita os sinais de hesitação que trairiam uma mentira consciente, e por isso mente de forma mais eficaz.[fonte] Antes de explicar ao chefe por que saiu mais cedo, ou ao cliente por que pulou uma etapa, a mente já editou a própria lembrança dos fatos — a versão editada é mais fácil de defender depois.

“Ele carrega cinco espadas e deixa duas fincadas no chão: não leva tudo, só o suficiente para ainda se sentir uma pessoa razoável.”

Pequenas transgressões toleradas — levar menos do que tudo, cortar só um pouco — não ficam contidas: deslocam o próprio padrão do que parece aceitável e abrem caminho para a próxima, maior, ser cometida com menos resistência interna.[fonte] A primeira hora extra não lançada no relatório, ou o primeiro atalho que pula uma checagem, merecem o mesmo alerta.

O naipe (ar) e o número sete (aqui, a estratégia recolhida e furtiva) seguem a lógica comum a qualquer naipe — explicada em Espadas e Os Arcanos Menores.

Puro místico

tradição · sem correlato verificável

Waite reconhece que os sentidos que atribui à carta são discordantes entre si — intenção, tentativa, esperança, confiança de um lado; disputa, plano que pode falhar, contrariedade do outro — sem tentar unificá-los.[fonte] Na Golden Dawn, o decano é a Lua em Aquário, título “Senhor do Esforço Instável” no Book T.[fonte] É atribuição retroativa (1888): a instabilidade do título ecoa a leitura de Waite, mas nenhuma das duas decorre de mecanismo verificado — lente de tradição, não fato psicológico ou astronômico.

Fontes
  1. Waite, A. E. The Pictorial Key to the Tarot. Londres: William Rider & Son, 1911.
  2. Regardie, I. The Golden Dawn: An Account of the Teachings, Rites and Ceremonies of the Hermetic Order of the Golden Dawn. Chicago: Aries Press, 1937–1940. (Documento “Book T”.)
  3. von Hippel, W. & Trivers, R. “The Evolution and Psychology of Self-Deception.” Behavioral and Brain Sciences 34, n. 1 (2011): 1–16.
  4. Welsh, D. T., Ordóñez, L. D., Snyder, D. G. & Christian, M. S. “The Slippery Slope: How Small Ethical Transgressions Pave the Way for Larger Future Transgressions.” Journal of Applied Psychology 100, n. 1 (2015): 114–127.