Arcano Lúcido

Arcano Menor · nº 7

Sete de Copas

Em estudo
Carta Sete de Copas, ilustração de Pamela Colman Smith, 1909
Pamela Colman Smith, 1909 · domínio público

fantasia · ilusão · excesso de opções · devaneio

elemento:
água
atribuído retroativamente
astrologia:
Vênus em Escorpião
atribuído retroativamente

Leitura tradicional

O Sete de Copas é o sétimo pip do naipe. Uma figura em silhueta encara sete taças numa nuvem — cada uma com uma visão: cabeça, vulto sob um véu, serpente, castelo, joias, grinalda, dragão. Waite resume: “estranhos cálices de visão, mas as imagens são sobretudo as do espírito fantástico”.[fonte]

Como adivinhação, Waite lista “favores das fadas, imagens de reflexo, sentimento, imaginação, coisas vistas no espelho da contemplação”; adverte que, nesse alcance, “nada permanente ou substancial é sugerido”.[fonte]

Como usar

“A tradição lê a cena como excesso de opções: sete taças, sete caminhos diferentes diante da mesma pessoa, nenhum escolhido.”

Mais alternativas nem sempre ajudam a decidir. Iyengar e Lepper puseram um estande de geleias: a mesa com 24 sabores atraiu mais gente, mas gerou dez vezes menos compras que a mesa com só 6 — excesso de opção também reduz a satisfação com a escolha feita depois.[fonte] Diante de sete propostas, cortar a lista para três antes de comparar produz uma escolha mais rápida e menos arrependida do que pesar as sete juntas.

“A tradição também lê a figura como alguém que sonha as visões em vez de agir sobre elas — nenhuma mão se estende às taças.”

Habitar mentalmente um futuro já realizado tem um custo. Oettingen e Mayer viram, em quatro áreas da vida, que quanto mais a pessoa se entregava a fantasiar o sucesso como certo, menos energia e esforço ela de fato investia depois — a mente antecipa a recompensa e relaxa.[fonte] Sonhar acordado com o projeto pronto substitui, em vez de preparar, o trabalho de tirá-lo do papel.

O naipe (água) e o número sete (teste) seguem o sistema comum a todo menor — explicado em Copas e Os Arcanos Menores.

Puro místico

tradição · sem correlato verificável

Fora do texto de Waite, parte da literatura tarológica lê cada taça como um símbolo fixo — a cabeça como vaidade, o vulto velado como ideal, a serpente como tentação, o castelo como ambição, as joias como riqueza, a grinalda como fama, o dragão como o perigo por trás da conquista. É camada de tradição posterior, sem fonte única e sem correlato verificável. O título da Golden Dawn para o decano, “Senhor do Sucesso Ilusório”, também mora aqui: herança simbólica, sem uso prometido.

Fontes
  1. Waite, A. E. The Pictorial Key to the Tarot. Londres: William Rider & Son, 1911.
  2. Regardie, I. The Golden Dawn: An Account of the Teachings, Rites and Ceremonies of the Hermetic Order of the Golden Dawn. Chicago: Aries Press, 1937–1940. (Documento “Book T”.)
  3. Iyengar, S. S. & Lepper, M. R. “When Choice is Demotivating: Can One Desire Too Much of a Good Thing?” Journal of Personality and Social Psychology 79, n. 6 (2000): 995–1006.
  4. Oettingen, G. & Mayer, D. “The motivating function of thinking about the future: Expectations versus fantasies.” Journal of Personality and Social Psychology 83, n. 5 (2002): 1198–1212.