Arcano Menor · nº 2
Dois de Paus
Em estudo
Leitura tradicional
Waite descreve “um homem alto que olha, de um terraço ameado, sobre o mar e a costa; ele sustenta um globo na mão direita, enquanto um bastão na esquerda repousa na ameia; outro está fixo num anel.” Rosa, cruz e lírio aparecem à esquerda.[fonte]
Como significado adivinhatório, Waite lista dois polos opostos: de um lado “riqueza, fortuna, magnificência”; do outro, “sofrimento físico, doença, aborrecimento, tristeza, mortificação” — e evoca a mágoa “de Alexandre em meio à grandeza da riqueza deste mundo.”[fonte]
Fora do texto de Waite, a leitura mais difundida hoje simplifica a cena: o globo já na mão, o bastão ainda fixo na muralha atrás — o poder já conquistado, o plano traçado, mas o passo para o território maior ainda não dado.
Como usar
“O homem sustenta o globo numa mão e, do alto da muralha, observa a terra e o mar que ainda não percorreu.”
Imaginar o resultado desejado e, junto, o obstáculo real que separa esse resultado do presente aumenta mais o compromisso com uma meta do que só fantasiar com o sucesso. Oettingen, Pak e Schnetter chamaram esse contraste — futuro desejado versus realidade atual — de contraste mental, mais eficaz que a fantasia isolada.[fonte] Antes de migrar um sistema em produção ou lançar um projeto pessoal, contrastar a meta com o obstáculo técnico concreto funciona melhor do que só visualizar o resultado.
“Um dos bastões continua fixo na muralha; o outro ele apenas sustenta à parte, sem soltar nem avançar.”
Manter o que já está garantido, mesmo com uma alternativa melhor à vista, é um viés medido e replicado: as pessoas preferem o estado atual por padrão, e superestimam o custo de trocá-lo.[fonte] Ao considerar uma proposta de emprego nova ou uma mudança de cidade, esse peso extra a favor do que já está fixo não é um motivo real para ficar — é o viés atuando.
O naipe (fogo) e o número dois (a primeira polaridade, a escolha do caminho) seguem a lógica comum a qualquer menor — ver Paus e Os Arcanos Menores.
Puro místico
tradição · sem correlato verificável
Na Golden Dawn, o decano da carta é Marte em Áries, título “Senhor do Domínio” no Book T — Marte no signo que ele mesmo rege, a energia marcial em seu ponto mais concentrado, segundo a astrologia tradicional.[fonte] É atribuição retroativa (1888), sem mecanismo psicológico verificado por trás do cruzamento planeta-signo — lente de leitura da tradição, não fato astronômico.
Fontes
- Waite, A. E. The Pictorial Key to the Tarot. Londres: William Rider & Son, 1911.
- Regardie, I. The Golden Dawn: An Account of the Teachings, Rites and Ceremonies of the Hermetic Order of the Golden Dawn. Chicago: Aries Press, 1937–1940. (Documento “Book T”.)
- Oettingen, G., Pak, H. & Schnetter, K. “Self-Regulation of Goal-Setting: Turning Free Fantasies About the Future into Binding Goals.” Journal of Personality and Social Psychology 80, n. 5 (2001): 736–753.
- Samuelson, W. & Zeckhauser, R. “Status Quo Bias in Decision Making.” Journal of Risk and Uncertainty 1, n. 1 (1988): 7–59.