Arcano Lúcido

Arcano Menor · nº 1

Ás de Copas

Em estudo
Carta Ás de Copas, ilustração de Pamela Colman Smith, 1909
Pamela Colman Smith, 1909 · domínio público

novo sentimento · abertura · acolhimento · transbordamento

elemento:
água
atribuído retroativamente

Leitura tradicional

Uma mão sai de uma nuvem e segura, na palma, uma taça da qual jorram quatro filetes de água. Uma pomba desce, trazendo no bico uma hóstia marcada com uma cruz, para colocá-la na taça; abaixo, sobre a água, flutuam nenúfares.[fonte]

Como adivinhação, Waite lista “a casa do coração verdadeiro: alegria, contentamento, morada, alimento, abundância, fertilidade — a mesa sagrada, felicidade nisso”.[fonte] É a carta com que a tradição abre o naipe: um sentimento que começa a transbordar, ainda sem destinatário ou razão contada.

Como usar

“A taça transborda desde o primeiro instante — antes de qualquer razão contada, com uma pomba trazendo ainda mais para dentro dela.”

O bem-estar do início de um sentimento não é só prazer: amplia o que se enxerga. A teoria do ampliar-e-construir mostra que emoções positivas — alegria, interesse, afeto — ampliam o repertório momentâneo de pensamento e ação e, com o tempo, constroem recursos que duram.[fonte] No começo de um projeto, uma relação ou uma ideia nova, a euforia inicial não é ruído: é sinal de que a atenção está mais aberta a testar caminhos que o cansaço fecharia depois.

O naipe (água) e o número um (semente, raiz do elemento) seguem o sistema comum a todo menor — explicado em Copas e Os Arcanos Menores.

Puro místico

tradição · sem correlato verificável

A pomba que desce trazendo uma hóstia marcada com uma cruz, para dentro da taça, é imagética cristã explícita na cena — o dom que chega pronto, sem que a pessoa precise merecê-lo.[fonte] Isso é herança simbólica: sem correlato verificável, sem uso prometido.

Fontes
  1. Waite, A. E. The Pictorial Key to the Tarot. Londres: William Rider & Son, 1911.
  2. Fredrickson, B. L. “The Role of Positive Emotions in Positive Psychology: The Broaden-and-Build Theory of Positive Emotions.” American Psychologist 56, n. 3 (2001): 218–226.